O caso culinário de Benjamin Buttons

Odeio filmes pré-programados para óscares. ODEIO! E David Fincher seguiu a receita para arrecadar óscares.
1. Juntem uma actriz em estado crítico de subaproveitamento, sotaques rednecks forçados e polvilhem com tiques visuais decalcados de Jean-Pierre Jeunet e estranhos acasos que nos recordam Magnólia. Mexam bem.
2. Cortem em pedaços um Forrest Gump fora de prazo, lavem bem, juntem uma pitada de reumático, tendo o cuidado prévio de ver se consta na etiqueta engelhada do produto «You never know what's coming for you» e não... «Life's like a box of chocolates... you never know what you're gonna get». Em vez de uma camada de selva vietnamita, preparem um caldo knorr com sabor a Pacífico onde o drama calculado para abrir as torneiras do público deve ser demolhado.
3. Acompanhem com tretas estorricadas sobre o amor e a vida (com o mesmo potencial que certos livros do Richard Bach) e um cenário em banho-maria que remete para uma tragédia americana recente. Verão que a história parece um grande coador cheio de furos e que, tal como os diques, a Nova Orleães dos anos 20 e 30 mete tanta água que um dilúvio seria redundante.
4. Por fim, safem um ou outro diálogo com uma frase que foi ao lume e conserva uma chama de ténue originalidade.
5. Levem tudo ao forno com o orçamento no máximo durante mais de duas horas. Certifiquem-se que os ponteiros do relógio da cozinha se movem no sentido certo!
Deram-me cá umas saudades do Zodiac e de um Brad Pitt em grande forma n' O Assassinato de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford que me apeteceu cá colar uma grande cena... para ver se desaparece o mau gosto que o Sr. Botões me deixou.

2 Responses so far.

  1. Não perdes pela demora. Vou gamar-te coisas do arco da velha. Ai vou vou!